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Cerveja e cigarros, Petróleo e derivados

Stonner 20 Comentários 26.03.13 4081 Vizualizações Imprimir Enviar

Todo dono de botequim reclama da baixa margem de lucro da venda de cigarros. No entanto, qualquer bar de esquina tem o display de cigarros à venda. Se o lucro é tão baixo, porque vendê-los? Porque o consumo de cigarros está muito associado ao consumo da cerveja, e da cerveja ao tira-gosto, e aí que o dono do bar tira seu lucro. Se não vendesse cigarros, os clientes procurariam outro boteco. E o que isto tem a ver com Petróleo e derivados? Muita coisa. Muito tem sido divulgado na imprensa acerca do aparente desinteresse da Petrobras em sua área de abastecimento, a ponto de ser aventada na imprensa a possibilidade da Petrobras vender 30% de seu parque de refino, o que já foi desmentido no Blog oficial da Petrobras – Fatos e Dados. Cabe no entanto continuar este esclarecimento, como temos feito em diversas oportunidades aqui no Blogtek.

Petróleo e derivados: o lucro no Refino

De fato, o lucro no refino (onde se produz os derivados que a população consome, tais como gasolina, diesel, querosene de aviação, etc.) é bastante baixo, considerado o volume de investimentos a ser feito e principalmente, em comparação à atividade de produção. No site www.petrostrategies.org, vemos algumas informações importantes (desconsiderar as informações sobre impostos (taxes), pois a estrutura tributária no Brasil é totalmente diferente, e muito mais pesada):

  • Cerca de 75% do lucro das empresas integradas de petróleo vem do upstream

Glossário:

    • Empresa integrada de petróleo: aquela que atua na exploração e produção de petróleo, em seu transporte e refino, e em sua distribuição aos postos de gasolina. Ou seja, do poço ao posto.
    • Upstream: literalmente, corrente para cima. Corresponde às atividades de exploração e produção
    • Downstream: literalmente, corrente para baixo. Compreende as atividades de refino, ou seja, a transformação do petróleo cru em derivados para utilização pública, tais como gasolina, diesel, gás de cozinha, querosene de aviação, etc.
  • O lucro na produção é de cerca de 41%
  • O lucro no refino é inferior a 13% (na realidade, no Brasil este valor é inferior, devido à política de preços do governo)

Petrobras, uma empresa integrada de petróleo

Se o lucro no Refino é tão baixo, porque não focar apenas na exploração e produção? Aí entra a comparação com a cerveja e cigarros. Da mesma forma que o dono do bar tem interesse em vender cigarros, ainda que com pequena margem de lucro, à Petrobras interessa ser uma empresa integrada, do poço ao posto. Vejamos a Missão e Visão 2020 da Petrobras (www.petrobras.com.br):

Missão:

Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua.

Visão 2020:

Seremos uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e a preferida pelos nossos públicos de interesse.

Portanto, há interesse sim em manter e adequar o parque de refino, mesmo porque a gasolina e derivados que temos que importar são vendidos à cadeia distribuidora por um preço inferior ao que pagamos na importação, como já foi esclarecido no post: Abaixo o preço da água mineral! Viva o preço da gasolina!

Então por que houve uma redução nos investimentos em refino, no recém divulgado Plano de Negócios e Gestão 2013-2017?

É bastante lógico priorizar os investimentos onde se tem maiores retornos, uma vez que o caixa da companhia para investimentos é finito (leia “O preço da gasolina e Jeannie é um gênio“, aqui no Blogtek).

De resto, o próprio PNG 2013-2017 explica:

O segmento de Exploração e Produção no Brasil investirá US$ 147,5 bilhões, o que representa um crescimento de US$ 15,9 bilhões em relação ao PNG 2012-16, devido principalmente à inclusão dos investimentos de 2017 em níveis compatíveis com a aceleração da produção planejada entre 2016 e 2020. 

A carteira em implantação prevê investimentos de US$ 43,2 bilhões no Abastecimento, sendo os principais projetos a Refinaria Abreu e Lima e a primeira fase do Comperj. Houve uma redução de US$ 12,6 bilhões em relação ao PNG 2012-16, pela conclusão de projetos de qualidade e conversão e pela finalização das refinarias em construção até 2016. Os investimentos em expansão da capacidade de refino da carteira em avaliação avançaram na maturidade da fase de elaboração dos seus respectivos projetos. Atualmente, passam por otimização buscando o alinhamento com métricas internacionais.

Ademais, a Petrobras reiterou, em resposta (Blog Fatos e Dados) a infundadas questões colocadas pela Revista Exame, edição Online de 14/03/13:

– Não procede, absolutamente, a informação de que a Petrobras tem um suposto plano de venda de suas refinarias no Brasil.

– Ao contrário do que afirma a revista, nenhum projeto ou operação desse porte teria curso na Companhia sem o inteiro conhecimento e aprovação de sua Diretoria Executiva e seu Conselho de Administração.

– A Petrobras considera que a integração de suas atividades atuais no campo do refino e da produção de óleo são de caráter estratégico para a Companhia, e contribuem para o seu melhor resultado empresarial.

– A Petrobras tem reafirmado reiteradas vezes que não enfrenta quaisquer problemas de caixa.

Logo, os derivados podem se comparar aos cigarros no botequim, de baixo retorno, mas essenciais à estratégia da Empresa.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Sérgio Cutrim

    O artigo justificou muito bem o investimento da Petrobras na área de refino devido a estratégia de integração vertical. Porter explica esta estratégia como uma combinação de processos de produção, distribuição, vendas e/ou outros processos econômicos tecnologicamente distintos fora das fronteiras de uma mesma empresa. A extensão apropriada da integração vertical está na relação entre os benefícios econômicos e administrativos desta integração e os custos econômicos e administrativos. Outras grandes empresas líderes em seu setor também utilizem esta estratégia. Como por exemplo, a “mineradora” VALE. A operação da VALE no estado do MA é um exemplo desta estratégia. O sistema Norte da VALE é constituído pela Mina de Carajás, estrada de ferro Carajás (EFC) e pelo Terminal Portuário de Ponta da Madeira (TPPM), exclusivo para o escoamento dos produtos da Vale produzidos no Pará e de carga geral de outras empresas. Em 2011 o sistema norte foi responsável pela produção de 109,09 mtpa (milhões de ton por ano). O TPPM movimentou no mesmo ano 108 milhões de ton incluindo minério de ferro, de manganês e produtos diversos (grãos, ferro gusa, etc.) A direção da expansão aplicada no caso em questão é a jusante, ou seja, é a verticalização dos processos posteriores, a empresa fica mais próxima de seus consumidores finais. Neste sentido a empresa avançou o processo de verticalização quando projetou e encomendou a construção de navios conhecidos como VALEMAX, com a capacidade de transportar até 400mil ton de minério. A empresa também é proprietária dos portos de Balantag e Harpan Tanjung na Indonésia e o porto de Sohar em Omã. A palavra mineradora não foi grafada neste texto com aspas por acaso. Ao percebermos a amplitude da atuação da VALE nos questionamos, ela é uma mineradora, ferroviária, portuária ou armadora ? Ou tudo isto junto e misturado ? Em seu DNA, em sua essência, ela é uma mineradora, que adota a estratégia de integração vertical. Se amanhã assumir um novo presidente na empresa que queira mudar a direção dos negócios, ele pode vender navios e terminais, mas nunca venderá suas minas. Com o olhar histórico percebemos que o pêndulo entre verticalização e desverticalização nas organizações é o mesmo pêndulo histórico entre o liberalismo econômico e o intervencionismo estatal, depende do que está na “moda”.

  • davi santos

    Stonner, mais uma vez receba os meus parabens pela excelente explicação que voce coloca em seu Blog. Não é de hoje que a Petrobras é alvo de açoes de alguns grupos que visam desacredita-la. Os motivos creio eu são sempre os mesmos LUCRO FUTURO. Já podemos verificar alguns pequenos focos da opinião publica que voltam a defender a erronea bandeira da Privatização; como se esta fosse a solução do problema; e quando sabemos que a solução não é a privatização, mas uma gestão focada em resultados.

  • Caro Prof. Sergio Cutrim, agradeço a colaboração! Muito interessante a comparação com a verticalização da VALE, e o destaque para o seu “core business”, mineração. A Petrobras também tem um leque amplo de atividades, é uma empresa de ENERGIA, mas o seu negócio mesmo, é o Petróleo, do poço ao posto.

  • Caro Davi, muito obrigado pelo retorno e incentivo. Percebe-se claramente a ação de alguns grupos para desacreditar a Empresa que é,e continuará sendo, o símbolo do Brasil que queremos.

  • Giselda Pinheiro

    Parabéns ,excelente explicação.

  • Muito obrigado, cara Giselda. Seja sempre bem vinda, aqui e via Facebook!!!!

  • Oedes Onesko

    Bom dia Sr Stonner.

    Sou empresario no ramo de hotelaria do est: do parana.

    vim para esta cidade por indicação de um Diretor da Petrobras da cidade de Araucaria-pr, confiando nesta obra.

    mas neste trés anos que estou aqui vejo muitos políticos desacreditado nesta construção desta refinaria,parece que torcem para não ir pra frente.
    Eu mesmo chequei até pensar em voltar pra trás.
    Mas um amigo me forneceu este teu blog.

    Agora já posso confiar e acreditar nesta obra(refinaria Premium l)pois tem todo o fundamento para não paralisar as refinaria.
    Continuarei acreditando e investindo nesta cidade, esperando um crescimento grande na areá de hotelaria.

  • Gilzenir Dórea

    texto muito bom, direto e claro.

  • Caro Oedes, realmente em 2013 e início de 2014 o ritmo da Obra estará mais lento, pois o projeto está em revisão, e esta revisão certamente implicará em algumas mudanças de layout, o que limita as ações de construção de infraestrutura. Mas a partir do segundo semestre de 2014 a Obra estará sendo retomada. Eu mesmo estou ficando no Maranhão, para estas fases subsequentes.

  • Muito obrigado pelo incentivo, Gilzenir!

  • Parabens Stonner!

    Finalmente esclarecimentos sensatos em meio a tanta bobagem divulgada nas mídias.

  • Luiz Estima

    Stonner, isso que você explica sobre cerveja e cigarro, em economia (microeconomia) tem nome. Chamam-se bens complementares. São bens como sorvete e cobertura. Caso a demanda por sorvete aumente, há uma grande tendência de aumento por demanda por cobertura. E outro exemplo desses bens complementares seria : combustíveis e automóveis. Um aumento na demanda de automoveis, fatalmente acarretará em um aumento na demanda de combustíveis.
    Há uma relação em microecomia que mensura essa relação. Chama-se Elasticidade preço da demanda cruzada. No site http://pt.wikipedia.org/wiki/Elasticidade_pre%C3%A7o_da_demanda_cruzada tem-se um bom exemplo dessa mensuração :
    “Por exemplo, se um aumento de 30% no preço de combustíveis levar a uma queda de 10% na demanda por automóveis, diz-se que a elasticidade preço da demanda cruzada é igual a -10%/30%, ou -1/3.
    A elasticidade preço da demanda cruzada caracteriza-se por ser positiva quando medida entre bens substitutos, negativa entre bens complementares, e zero entre bens independentes.”

    Portanto, a PETROBRAS ao fazer esse tipo de mensuração e ao adotar sua visão estratégica de integração do poço ao posto entende que elasticidade preço da demanda cruzada de pretoleo e derivados lhe é favorável.

  • Obrigado, meu caro Estima! Seu comentário em muito enriqueceu o artigo!

  • Obrigado, Sandoval! Conto com suas visitas!

  • David Santos Chaves Junior

    Muito boa esta colocação. Daí o preço dos combustíveis no Brasil (aqui no Rio é um absurdo) serem bem caros se comparando com os de países vizinhos como Venezuela, Argentina… e por aí vai. Pagamos altos impostos pra sustentar políticos corruptos não só comprando combustíveis, mas também gêneros alimentícios e nos impostos diretos (Imposto de Renda por exemplo).

  • É, principalmente nesta época do ano, quando falamos de imposto, o IR dói!!!! rsrsrsrsrsrs…..

  • Miguel Bichara

    Oi Stonner, estou lendo com um pouco de atraso esse post, mas mesmo assim quis comentar.
    Me ocorreu que qualquer país pode produzir derivados de petróleo, mas poucos podem extraí-lo (nesse contexto, “produzir” é uma palavra inapropriada, visto que quem produziu o petróleo foi a natureza). No meu entender, o que explica a margem de lucro muito maior no upstream é a pequena quantidade de países extratores e a organização desses países para ditar o preço do petróleo. Nas economias extrativistas não cartelizadas, me parece que a coisa é diferente. O que dá mais grana, extrair ferro ou produzir aço? Talvez o prof. Cutrim possa responder melhor que eu.
    Enfim, é preciso ter em mente que a margem do upstream é baseada num preço de cartel. Se o cartel quiser, ele joga os preços para baixo, continua lucrando muito (extrair petróleo no oriente médio é muito barato) e inviabiliza os investimentos em upstream da Petrobras. Já pensou ter um custo de extração maior do que o preço do produto? Acho que nada impede que isso venha a acontecer, principalmente com a propalada economicidade das novas tecnologias de extração a partir do xisto betuminoso.
    Numa situação dessas, me parece claro que a margem do downstream vai subir muito… Imagina a gente sem refinaria…

  • Lincoln Ferreira

    Caro Stonner,
    Parabéns pelo o artigo sempre elucidador. Conheci seu blog a pouco tempo, mas mesmo assim estou comentando os posts mais antigo.
    Fiquei com uma dúvida, É uma visão errada de que “sempre” o produto industrializado tinha maior valor que a matéria prima, por ter mais valor agregado… Essa máxima não é verdadeira na cadeia dos derivados do petróleo???
    CALCULO EM PAPEL DE PÃO:
    Sendo o valor do barril de petróleo tipo brent US$110, divido por 159L (volume de um barril em L) teremos o valor de aproximadamente US$0,69. Multiplicado por R$2,20, chegaremos a um valor de R$1,52 o litro de petróleo…
    Levando em conta que para fazer um litro de gasolina usa-se uma fração X de um litro de petróleo, como o produto manufaturado pode dar menos lucro que a materia prima?

  • Lincoln, a margem do refino é pequena. Quaisquer alterações de preço do petróleo e do valor do câmbio muda esta conta. Ademais, o fato é que no Brasil a Petrobras é obrigada a vender por um preço mais baixo do que o do mercado internacional. Parabéns pelo questionamento!

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