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Celacanto provoca maremoto – divulgando suas ideias

Stonner 2 Comentários 29.12.13 2866 Vizualizações Imprimir Enviar

Este título é para quem já tem mais de 45 anos, e viveu os anos 70 no Rio de Janeiro. Subitamente, começaram a surgir alguns graffitti, iniciados na Zona Sul da cidade, com o misterioso texto: Celacanto provoca maremoto. As pessoas não entendiam o aquilo significava, ficavam intrigadas, e os grafiteiros se encarregavam de espalhar o texto, fundindo a cuca da população (a expressão “fundindo a cuca” também é daquela época…). Foi o primeiro viral que conheci, muito antes do advento da Internet.

E o que tudo isto tem a ver com o tópico Gerenciamento de Projetos, ou ainda, Liderança e Gestão? É que todos nós, ao termos uma ideia, ao propormos uma solução, gostaríamos que a adesão fosse grande, disseminada, permeando toda a organização. Ou seja, queremos que nossas ideias se tornem virais, não necessariamente no contexto mundial, mas no contexto de nosso projeto, nossa empresa. E é isto que iremos abordar neste artigo.

O ponto de virada

CapaPontoDaVirada_15mm.pdfO livro de Malcolm Gladwell, O ponto de virada, publicado pela Editora Sextante, mostra alguns conceitos interessantes sobre como disseminar uma ideia, um conceito. O termo hoje empregado para sucessos na Internet (viral), é bastante correlato com o conceito que Gladwell utiliza: ele as chama de epidemias. Segundo o autor, o Ponto da Virada é justamente o momento em que pequenas mudanças entram em ebulição, fazendo com que a trajetória de uma tendência ou de um comportamento dê uma guinada e se alastre.

Quem não deseja que suas ideias, seus conceitos, seus produtos sejam objeto de desejo e consumo por toda uma comunidade, global ou empresarial? Então vejamos o que pode deflagar estas “epidemias do Bem”. Esta virada tem basicamente três características:

  • Possibilidade de contágio: é necessário que a ideia, o conceito, possa ser transmitido de pessoa a pessoa. Então, tem que despertar nas pessoas o desejo, ou seja, “vou vestir esta camisa”. A Microsoft lançou o Windows 8, o qual não vem tendo boa receptividade entre os usuários de computador, por ser drasticamente diferente das versões anteriores. Então, para possibilitar o contágio, a Microsoft lançou o Surface, que é um tablet. É a primeira vez que a Microsoft lança um hardware, mas é necessário fazê-lo, pois o Windows 8 tem uma filosofia muito próxima dos sistemas da Apple e do Android. A epidemia ainda não ocorreu, mas a Microsoft está correndo atrás…
  • Pequenas causas podem ter grandes efeitos. Como exemplo, menciona que a melhora na manutenção e aspecto dos trens do Metrô de Nova Yorque diminuiu os atos de vandalismo, e até a criminalidade. Isto é algo que nós, moradores de grandes cidades no Brasil, podemos constatar, comparando a limpeza e respeito aos ativos nas dependências do Metrô, e nas dependências das Companhias de Trens Urbanos (e é o mesmo público).
  • A mudança não ocorre gradualmente, mas de repente, em um momento decisivo. Este momento decisivo é o Ponto de Virada.

 Três Agentes de Mudança

O ônibus em que Rosa Park começou o Ponto de Virada

O ônibus em que Rosa Park começou o Ponto de Virada

A Regra dos Eleitos: eleitos são as pessoas excepcionais que descobrem a tendência, e por meio de seus contatos sociais, sua energia, seu entusiasmo e personalidade, conseguem disseminar a novidade. Mahatma Ghandi e Martin Luther King são exemplos de eleitos, mas, se você argumentar que eles já possuíam certa notoriedade, e que você não tem em seu networking nenhuma pessoa conhecida, lembre-se de Rosa Parks. Ela foi a pessoa, negra, que em 1955 recusou-se a dar o lugar a um passageiro branco no ônibus em que viajava, e esta atitude deflagrou o Movimentos dos Direitos Civis nos EUA.

O Fator de Fixação: há maneiras específicas de fazer com que uma mensagem contagiante se torne inesquecível, em função da apresentação e na estruturação das informações. É o sonho de todo publicitário conseguir o fator de fixação para um produto ou marca. Caldwell menciona um exemplo americano, onde, se alguém diz a respeito de uma marca de cigarros “Winston tastes good“, a maioria dos americanos completa a frase dizendo “like a cigarette should“. Para exemplos brasileiros, temos o conceito de que se algo é “mais ou menos”, podemos dizer: “Este carro é bom, mas não é nenhuma…..(Complete!!!)”. Claro que você pensou em Brastemp. Ou seja, a Brastemp sequer fabrica carros, porém a ideia da qualidade de seus produtos fez com que a marca se tornasse um substantivo representativo da Qualidade. É também o que a Brahma vem fazendo recentemente, transformando o nosso habitual pessimismo “Se agora é assim, imagine na Copa!“, e mostrando, nos comerciais de TV, ao invés do caos que se imagina em uma estrondosa festa!

O Poder do Contexto: este conceito se originou da criminologia. Observou-se que o crime é contagiante, e alguns fatores predispõe à sua execução. Na década de 1980, David Gunn foi nomeado Diretor do metrô de Nova Yorque. Supervisionaria um projeto de bilhões de dólares, de reconstrução do sistema metroviário, então em total decadência. Foi orientado a focar no combate ao crime e na confiabilidade do sistema, porém, além disto, Gunn se preocupou em detalhes tais como substituição das janelas quebradas e em apagar as pichações dos vagões. Dizia: “As pichações são o símbolo do colapso do sistema”. Porém, ao invés de buscar resolver o problema como um todo, de uma só vez, focou em uma determinada composição. As janelas foram trocadas, as pichações foram limpas, e a composição era monitorada diariamente. Se aparecesse uma pichação, à noite haveria uma equipe para limpá-la. Outro fator importante foi combater o calote. Por ser de pequeno valor, US$ 1,25, a Polícia não se importava tanto em coibi-lo. Afinal, havia problemas muito mais graves. Mas o fato das pessoas poderem usar os serviços de graça deteriorava o respeito que tinham pelo sistema. Quando o calote foi efetivamente coibido, juntamente com a progressão dos serviços de remoção de pichações e substituição de janelas quebradas, a criminalidade decresceu abruptamente. Aqui no Brasil voltando à comparação entre os trens da Central e o Metrô do Rio de Janeiro, veja que coincidentemente é muito fácil viajar de graça nos trens da Central, e quase impossível no Metrô. Estes são fatores que fazem com que a Qualidade dos Serviços, a Limpeza e o Respeito dos passageiros pelo ambiente seja muito superior no Metrô do que nos trens da Central, em razão inversa da criminalidade, que inexiste no Metrô, e é marcante nos trens da Central.

 A origem do Celacanto provoca Maremoto

A origem de tudo passa pelo seriado chamado National Kid, exibido na década de 60, propaganda dos produtos National, que depois virou Panasonic. Um dos episódios era sobre os seres abissais, e um deles era o peixe chamado celacanto.

Num dado momento, o Dr. Sanada, que era um dos personagens maléficos, dizia: “CELACANTO PROVOCA MAREMOTO”. E não provocava nada, quem provocava era um submarino chamado Guilton.

O autor do Celacanto provoca Maremoto

O autor do Celacanto provoca Maremoto

O autor do CELACANTO PROVOCA MAREMOTO é o jornalista carioca Carlos Alberto Teixeira (C@T), que narra (link completo: http://catalisando.com/goldenlist/celacanto.htm):

” Um dia, após a aula, peguei giz e enchi a sala com tal representação. Era na parede, era no quadro-negro, era no chão, no teto, enfim, enchi a sala de aula e aquele negócio virou um símbolo. Na época eu tinha 17 anos, e fazia esse grafismo com giz em tapume de obra, o que gerava um contraste legal do giz branco com a madeira de coloração escura. Depois, comecei a comprar Pilot (caneta hidrocor, conhecida como pincel atômico). Ensinei alguns amigos a fazer a pichação CELACANTO PROVOCA MAREMOTO, pois havia um estilo que indicava que era eu quem estava fazendo, e não uma mera cópia (havia gente que copiava e dava para perceber que não eram da minha linhagem).

O grande salto foi usar spray e aí começou a se formar uma equipe que chegou a totalizar 25 pessoas, com gente pichando até em Washington e em Paris. Como era um trabalho que a gente fazia na madrugada, havia muita pichação na zona sul do Rio, em Ipanema, Leblon e Copacabana. Por ser uma região de gente muito cabeça, as pessoas começaram a perguntar: Ah, Celacanto, o que será isso?”

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Godo Rodolfo Goemann Jr

    Stonner, muito interessante o texto. É uma boa idéia “mesclar” assuntos um pouco mais gerais com Projetos. Desejo um ótimo 2014.

  • Obrigado, Godo!!

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