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Canal do Panamá – o sucesso americano

Stonner Comente 24.07.13 4591 Vizualizações Imprimir Enviar

Recentemente, publicamos aqui no Blogtek um artigo sobre o projeto do Canal do Panamá (clique para ler o artigo), destacando as falhas do projeto francês, verdadeiras lições aprendidas sobre o que NÃO fazer em termos de Gerenciamento de Riscos. Mas, o Canal do Panamá foi construído, pelos americanos, portanto hoje iremos ver as Lições Aprendidas do projeto americano. Para você ser informado dos próximos artigos cadastre seu e-mail aqui no Blogtek, no topo da página, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Canal do Panamá – o interesse americano

Canal do Panamá: Roosevelt, principal sponsor do projeto

Canal do Panamá: Roosevelt, principal sponsor do projeto

Enquanto a tentativa francesa de construir o Canal do Panamá tinha objetivos primordialmente comerciais, o interesse americano em construí-lo era fundamentalmente militar: era muito oneroso aos cofres americanos ter duas esquadras separadas, uma na Costa Leste e outra na Costa Oeste.

Quando Theodore Roosevelt foi eleito presidente em 1901, definiu como principal prioridade de seu Governo a execução do Canal do Panamá. Sua identificação com este projeto foi tamanha, que àquela época foi criado um palíndromo (palavra ou sentença que pode ser lida igualmente nos dois sentidos, esquerda-direita, ou o contrário):

A man, a plan, a canal – Panama

Roosevelt atuou como Project Sponsor: delegou o Gerenciamento a pessoas capacitadas, e atuou naquilo que melhor poderia: após o insucesso francês, o governo colombiano (do qual o Panamá fazia parte) estava muito arredio à continuidade do projeto do Canal do Panamá. Com o apoio americano, sem disparar um único tiro, a província do Panamá se tornou um país independente, e ansioso por ver o projeto concluído.

Canal do Panamá – os primeiros passos americanos

Canal do Panamá: vista transversal

Canal do Panamá: vista transversal

Os americanos também tiveram sua cota de insucessos. O primeiro Gerente do Projeto foi John Wallace, designado em 1904, oriundo da área ferroviária, que tinha muito pouco empowerment. Com receio do insucesso francês, em que decisões importantes eram tomadas pelos gestores (Ferdinand de Lesseps) sem criteriosa avaliação, os americanos tenderam ao extremo oposto: qualquer decisão de John Wallace tinha que ser referendada por um Comitê de sete pessoas, em Washington, o que demandava uma terrível burocracia, e as decisões tardavam muito.

John Wallace foi substituído por John Stevens, que detinha grande experiência como construtor. Roosevelt eliminou o Comitê, e deu autonomia maior a John Stevens. Ao chegar ao Panamá, paralisou os trabalhos e investiu em Planejamento (principalmente definição do escopo), e Infraestrutura. Construiu alojamentos, refeitórios decentes, armazéns para guarda de material, e investiu na Saúde. Àquela época já se sabia que a malária e a febre amarela eram transmitidas pelo mosquito, e deu pleno suporte à equipe médica para medidas de prevenção. Em seis meses a Febre Amarela estava erradicada, e a malária estava declinando. Em 1907 a Infraestrutura estava pronta, as doenças erradicadas, e o escopo definido: seria construído um canal de 80 quilômetros, com traçado definido, e utilizando o conceito de diques e eclusas, abandonando definitivamente o conceito francês de fazer um só canal todo ao mesmo nível (o que requeria substancial volume a mais de escavação).

Outro problema a ser abordado era a deposição do material escavado. Stevens, engenheiro ferroviário que era, concebeu a utilização de uma ferrovia já existente desde o século passado, que foi subutilizada pelos franceses, para descartar o material de escavação próximo à costa, em um gigantesco “bota-fora”. Este processo permitiu que fosse escavado em um dia o que a equipe francesa levava um mês.

No entanto, o clima tropical não agradou John Stevens, que renunciou ao posto de Gerente do Projeto em fins de 1907, causando enorme mal estar a Theodore Roosevelt.

Canal do Panamá – estilo militar e construção da moral

Canal do Panamá

Canal do Panamá

Como o motivo preponderante para a construção do Canal do Panamá pelos americanos era militar, Roosevelt deu um tratamento militar à questão: nomeou o Major George Washington Goethals, que já tinha sido considerado para o cargo, como o Gerente do projeto, dando ao projeto características de Missão Militar: se o Major Goethals renunciasse, enfrentaria a Corte Marcial.

Goethals sabia dos desconfortos da região, que haviam levado à desistência de seu antecessor, e buscava melhorar o ânimo e a moral dos trabalhadores. Investiu em comunicação, publicando um informativo semanal destacando e nominando pessoas e equipes que haviam conseguido bons resultados, incentivando uma saudável competição. Promoveu reuniões abertas aos domingos, para quem quisesse procura-lo sobre diversos assuntos, e sempre que possível atendia as reivindicações, quando não era possível explicava porque, e se não fosse possível uma resposta imediata, definia um prazo para a resposta, e cumpria o prazo. Todos os trabalhadores que completavam dois anos de obra ganhavam medalhas, feitas com o metal dos equipamentos franceses abandonados.

Roosevelt também contribuiu imensamente para a motivação dos trabalhadores: em pleno período chuvoso, visitou a Obra (foi a primeira vez que um presidente americano em exercício se ausentava do País!!!), entrou nos pântanos, cumprimentou os trabalhadores, almoçou com eles no refeitório, e até operou um guindaste Bucyrus.

Canal do Panamá – desafios e conquistas

Panamax

Canal do Panamá: Panamax

O sistema de eclusas previa a utilização de comportas, para abertura e fechamento. Estas comportas tem grandes dimensões, e precisam ter uma massa muito grande para auxiliar a suportar a pressão dos desníveis de água criados para fazer a elevação dos navios. Porém, quanto maior a massa, o peso, mais difícil o seu deslocamento. A solução concebida foi fazê-las ocas: ficam leves para serem movidas, e quando massa é requerida, elas são cheias com água.

A movimentação destas comportas é feita por uma energia nova àquela época: a energia elétrica. Apenas uma pequena companhia norte-americana topou o desafio de construir os motores elétricos e os controles desta imensa obra: chamava-se General Electric (GE), e hoje em dia já não é mais pequena…

Os aços utilizados para as comportas eram aços-liga recentemente desenvolvidos, e Goethals previu que estes aços permitiriam também o aumento do porte dos navios militares e comerciais. Então, decidiu ampliar a capacidade das eclusas e comportats, e estas novas medidas serviram de referência ao longo de todo o século XX para a indústria naval: são os navios PANAMAX.

Veja um vídeo em camêra rápida, reproduzindo o funcionamento de 12 horas do Canal: http://goo.gl/xjEXl

Aqui um vídeo esquemático mostrando seu funcionamento: http://goo.gl/F6pwh

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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