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Bhopal, Seveso e São Francisco do Sul

Stonner 8 Comentários 29.09.13 6692 Vizualizações Imprimir Enviar

Bhopal, Seveso e São Francisco do Sul – evidentemente, não há nenhum paralelo que possa ser traçado em relação à gravidade, porém Blogtek destaca aqui a importância do Gerenciamento de Riscos, para todos aqueles que trabalham em ambiente industrial, e principalmente os gestores da indústria. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Bhopal – o maior desastre industrial do mundo

Bhopal - rosto insepulto de criança vítima da tragédia

Bhopal – rosto insepulto de criança vítima da tragédia

Bhopal, cidade situada no centro da Índia, foi cenário, na madrugada de 3 de dezembro de 1984, daquilo que viria a ser o maior desastre industrial do mundo. A Union Carbide tinha no local uma planta de pesticidas, e nesta madrugada 32 toneladas de gases tóxicos, predominantemente metil-isocianato vazaram, matando de imediato 5.000 pessoas, número que em duas semanas chegou a 18.000, e ainda hoje em dia, cerca de 150.000 pessoas sofrem de doenças crônicas decorrentes da contaminação, tais como câncer e doenças respiratórias, e diversos defeitos congênitos foram observados nas gerações subsequentes ao acidente.

 

Na madrugada, grande quantidade de água entrou em alguns tanques de armazenamento, os quais continham cerca de 40 toneladas de metil-isocinato. A reação química resultou em um aumento da temperatura para cerca de 200 graus Celsius, provocando o vazamento.

Bhopal - corpos aguardando sepultamento

Bhopal – corpos aguardando sepultamento

Há várias teorias sobre a admissão de água nos tanques. Unidades vizinhas estavam em manutenção, sendo lavadas com água, e algumas autoridades sustentam que má manutenção e válvulas dando passagem teriam originado o problema. A Union Carbide afirma que o desastre foi resultado de sabotagem de um empregado insatisfeito.

De qualquer forma, diversos fatores contribuíram para a extensão e gravidade dos danos:

  • Má localização da planta, próxima à área mais densamente povoada da cidade.
  • Utilização de insumos de alto potencial de danos, quando havia outros insumos possíveis de serem utilizados.
  • Estocagem inadequada (produtos altamente tóxicos em grandes volumes em poucos tanques).
  • Corrosão das linhas de tubulação.
  • Manutenção deficiente da planta.
  • Diversos sistemas de segurança fora de operação (by-passados).
  • Treinamento deficiente.

Leia mais em: http://www.bhopal.org/ (página da organização civil)

http://www.bhopal.com/ (página oficial da Union Carbide)

Seveso – vazamento de dioxina

Seveso - evacuação da área

Seveso – evacuação da área

Em 10 de Julho de 1976, um vazamento de dioxina da indústria química ICMESA, situada em Seveso, no norte da Itália, causou a contaminação de 320 hectares. Dioxina é um potente veneno: 200 gramas de dioxina dissolvidos em água podem levar à morte um milhão de pessoas.

O vazamento, ocorrido em um sábado à tarde, quando a fábrica não estava operando, não foi imediatamente detectado. Subitamente, pássaros começaram a cair em pleno voo, o que deu início à busca e detecção do problema. O prefeito da cidade só foi avisado após 27 horas, mas não foi mencionada a substância dioxina, o que ocorreu apenas 9 dias após o acidente. A fábrica não dispunha de sistemas de advertência nem planos de emergência pra a população.

3.000 animais morreram, e 70.000 tiveram que ser sacrificados, para evitar a entrada da dioxina na cadeia alimentar. O solo contaminado foi removido, e lacrado em dois recipientes de concreto, cada qual do tamanho de um estádio de futebol.

Não houve fatalidades, porém cerca de 200 pessoas foram afetadas por problemas de pele (cloracne).

A causa do acidente não foi totalmente estabelecida, posto que a fábrica estava vazia e parada no final de semana. Ignora-se o mecanismo pelo qual a mistura de produtos químicos remanescentes na caldeira (processo por batelada) iniciaram uma reação espontânea, gerando calor e energia suficientes para a liberação do produto tóxico. Especula-se que um processo tenha sido interrompido durante o ciclo.

Leia mais em: http://www.seveso.be/

São Francisco do Sul – incêndio em um depósito de fertilizantes

São Francisco do Sul - nuvem química

São Francisco do Sul – nuvem química

Em 24 de Setembro de 2013, por volta de 23 horas, iniciou-se um incêndio em um depósito de fertilizantes na cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina, gerando espessa nuvem de fumaça. As 17:00 do dia 25 de setembro, ainda não havia consenso acerca da toxicidade ou não da fumaça gerada, a partir do incêndio químico (sem chamas) de produtos contendo nitrato de amônia.

Em comum aos eventos anteriores, nota-se claramente a falta de informação sobre o produto e suas consequências, falhas de comunicação e falta de um plano de emergência.

Saiba mais em: http://www.youtube.com/watch?v=Xxwv11sff3k

Gerenciamento de Riscos:

Toda indústria que lida com produtos tóxicos deve estabelecer um Programa de Gerenciamento de Riscos, conforme ilustra o fluxograma a seguir:

Fluxograma de Gerenciamento de Risco

Fluxograma de Gerenciamento de Risco

É importante observar que, conquanto se trabalhe com modelos probabilísticos, é necessário rigor analítico no Gerenciamento de Riscos. Estimativas devem ser bem avaliadas e fundamentadas. E não se deve focar apenas na Prevenção. Planos de Resposta às Emergências devem ser estabelecidos. O critério de tolerabilidade ao risco também é definido por legislação própria, utilizando-se gráficos que ao correlacionar as probabilidades com o número de fatalidades potenciais, divide o cenário em regiões de Inaceitabilidade ou Aceitabilidade do risco. O gráfico a seguir ilustra o gráfico de tolerabilidade da Holanda, país em que a tolerância ao risco é extremamente baixa.

Gráfico de Tolerabilidade - Holanda

Gráfico de Tolerabilidade – Holanda

A seguir, mostramos o gráfico de Tolerabilidade ao Risco da CETESB, no qual se vê uma área classificada como ALARP, o que significa que o risco deve ser diminuído “As Low As Reasonably Practicable”.

Gráfico de Tolerabilidade - CETESB

Gráfico de Tolerabilidade – CETESB

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Marriel

    Rodolfo Stonner,
    Muito bom.
    Há mais ou menos uma semana fiz um curso na Petrobras onde o assunto foi técnicas de gerenciamento de risco e tudo o que você expôs foi abordado. Isso mostra o quanto é importante estarmos ligados a questão da identificação e tratamento dos riscos.

    Como atuo na fiscalização de obras e serviços, sempre encontro grande aplicabilidade dos seus artigos a na minha área.

    Muito obrigado pelo conhecimento compartilhado.

    Atenciosamente,

    Jorge MARRIEL Pedro
    LSJX
    Fiscal UO-BC/PCM/CM

  • Frederico Tome
  • Obrigado, Frederico, por compartilhar com os leitores. Aliás, este site do Chemical Safety Board é EXCELENTE!!

  • Olá, Marriel, bom saber que vc gostou!!!

  • Stonner , lendo suas valiosas matéria e ensinamentos educativos , me provocou uma vontade imensa de me tornar um tecnico de segurança do trabalho , já que estou me aposentando e tenho vasta experiência na area
    operacional , trabalheis muiro com Tolueno de isocianatos , Fosgênio , e agora faço 35 anos na FAFEN -SE produzindo fertilizantes Nitrogenados.

    Quais os primeiros passos que devo tomar para começar uma formação nesta área ?
    Como adquirir o quite de formação?

    Grato e muito sucesso nas divulgações , disseminar o conhecimento
    é o melhor meio para educar uma sociedade.

  • Caro Feliciano,
    para poder obter o CREA como Técnico de Segurança, há que se fazer o curso de Técnico de Segurança, e existem cursos pós-médio que só tem as matérias específicas. Não se esqueça apenas de checar se está regular junto ao MEC.

  • Caro Sotnner,
    Acabo de me registrar neste blog
    .Parabenizo-o pela excelencia nos topicos e fundamentos aqui abordados
    Sou vendedor de Equipamentos para Construçao Rodoviaria e afins.(LINHA AMARELA -GUINDASTES EMPILHADEIRAS)
    Dai meu interesse .
    Sds
    ANGELO SIQUEIRA 21 -7807-3557

  • Obrigado, Ângelo, bem vindo ao Blogtek!

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