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Análise Qualitativa de Riscos

Stonner 17 Comentários 16.06.13 16010 Vizualizações Imprimir Enviar

Em artigos anteriores, vimos os Conceitos do Gerenciamento de Riscos, o Planejamento do Gerenciamento de Riscos, e o processo Identificar Riscos. Prosseguindo, hoje iremos abordar a Análise Qualitativa de Riscos, e como gerar o Plano de Resposta aos Riscos. Anexo a este artigo, temos uma Planilha Excel com um modelo customizável de Plano de Resposta aos Riscos. A Área de Conhecimento Gerenciamento dos Riscos de projeto é uma das mais críticas na Gerência de Projetos, merecendo inclusive uma certificação específica (RMP – Risk Management Professional).

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Análise Qualitativa de Riscos – Matriz de Riscos

Elemento fundamental para que se proceda à Análise Qualitativa dos Riscos, a Matriz de Risco identifica a severidade dos riscos, medida pelo produto da Probabilidade de Ocorrência pelo Impacto das Consequências. A Matriz de Risco pode ser personalizada, conforme o Gerente de Projeto e/ou a Organização seja Avessa ao Risco, Propensa ao Risco, ou esteja na média. A planilha Excel anexa permite esta personalização.

Matriz de Riscos

Análise Qualitativa de Riscos: Matriz de Riscos

Uma das dificuldades neste processo é qualificar a Probabilidade e os Impactos, pois os termos “Baixa” ou “Muito alta”, por exemplo, são muito subjetivos. Para facilitar o enquadramento, são criados modelos verbais como se segue, os quais também podem ser adaptados:

Modelos verbais para as Probabilidades

Análise Qualitativa de Riscos: Modelos verbais para as Probabilidades

Modelos verbais para os Impactos

Análise Qualitativa dos Riscos: Modelos verbais para os Impactos

Análise Qualitativa de Riscos – Categorias de Riscos

Para melhor identificar, qualificar e desenvolver ações de resposta aos riscos, estes costumam ser categorizados. Uma possível categorização de riscos os classificam como riscos de:

  • Prazo
  • Custo
  • Escopo
  • Qualidade
  • SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde)
  • Outros

Análise Qualitativa de Riscos – Plano de Resposta aos Riscos

Apesar de serem dois processos distintos sob a ótica do PMBOK Guide, Analisar Qualitativamente os Riscos e Planejar as Respostas aos Riscos são muito frequentemente realizados simultaneamente. A mesma equipe que executou o processo de Identificar os Riscos, irá se reunir para consensar e definir a probabilidade de cada risco, e seus impactos. Desta forma, a Severidade do Risco é obtida, e as ações relativas aos riscos podem ser adequadamente priorizadas. A planilha anexa já gera automaticamente a Severidade do Risco, conforme o seu perfil de Aceitação do Risco.

Plano de Resposta aos Riscos – Estratégias

Estratégias para riscos negativos (ameaças):

Evitar: significa eliminar o risco, ou proteger totalmente o projeto do impacto deste risco. Exemplo: em uma parada de manutenção, determinado equipamento necessita de um grande volume de reparos, os quais podem vir a comprometer o prazo da Parada. Para evitar este risco, pode-se adotar a estratégia de substituição do equipamento, comprando-o antecipadamente, e apenas fazendo a sua instalação na Parada.

Transferir: corresponde a transferir o impacto da ameaça apra uma terceira parte. Muito frequentemente, isto é feito através de seguros, no entanto há outras formas de transferência. Por exemplo, ao construir uma nova planta, uma empresa pode fazer o contrato por preço global, entregando à Contratada o Projeto Básico. No entanto, se a empresa não tiver quadros disponíveis para desenvolver o Projeto Básico, ou não detiver tecnologia para tal, pode optar por um contrato Turn-Key, onde apenas o Projeto Conceitual é oferecido à Contratada, cabendo a esta o desenvolvimento do Projeto Básico e Executivo.

Mitigar: significa diminuir os impactos do risco, ou a probabilidade de ocorrência. Em uma Obra de Construção e Montagem, podem surgir movimentos paredistas. Ter um contrato alternativo de fornecimento de mão de obra, estabelecer rotas alternativas de acesso aos trabalhadores que desejem trabalhar, antecipar negociações trabalhistas são formas de mitigar os riscos de uma paralisação.

Aceitar: significa que a equipe do projeto decide não realizar nada para evitar, transferir ou mitigar o risco, seja por não ser possível, ou por não ter efetividade em termos de custo. Ainda assim, pode-se aceitar ativamente, seja estabelecendo reservas de contingência, ou outras alternativas. No caso de uma Parada de Manutenção de uma refinaria, pode haver o risco de um atraso na Parada gerar desabastecimento do mercado. Aceitar ativamente este fato é antes da Parada aumentar a produção de derivados, para ter um estoque capaz de suprir o mercado por um tempo substancialmente maior que o prazo da Parada, ou buscar alternativas de abastecimento via importação. Aceitar passivamente significa deixar acontecer, por não haver nenhuma estratégia de minimização viável.

Estratégias para riscos positivos (oportunidades):

Explorar: corresponde a garantir que aquela oportunidade seja efetivamente aproveitada, por exemplo, concentrando seus esforços e melhores quadros nesta atividade. Priorizar os esforços e recursos financeiros para a exploração do pré-sal é uma forma de explorar esta oportunidade de melhorar o fluxo de caixa, posto que o retorno deste investimento é maior e mais rápido do que em outras áreas.

Compartilhar: seria o equivalente para riscos positivos ao transferir, para riscos negativos. Significa compartilhar com uma terceira parte as vantagens de uma alternativa. Por exemplo, uma empresa de mineração necessita de uma linha férrea para transportar o minério para os portos, mas não a utiliza full time. Uma outra empresa da região pode compartilhar o uso desta linha para transporte de seus produtos, minimizando os custos para cada uma das empresas, e otimizando o retorno.

Melhorar: é o corresponde ao mitigar, para riscos negativos. Alocar recursos em uma atividade que propicie melhores resultados de imediato é uma forma de melhorar a oportunidade.

Aceitar: significa aproveitar os benefícios da oportunidade, caso ela ocorra, mas sem dispender esforços adicionais para tal.

Plano de resposta aos riscos – ações e gatilhos

O Plano de Resposta aos Riscos deve ser um Plano de Ação, ou seja, identificado um risco, deve ser caracterizado seu gatilho (trigger), ou seja, qual é o sinal de que determinado risco está em vias de se concretizar, ações a serem tomadas, com prazos e responsáveis.

Por exemplo, na compra de um equipamento importado, dificuldades alfandegárias é um risco que foi identificado pela equipe de projeto. Um possível gatilho para sinalizar a possibilidade de ocorrência deste risco seria a proximidade do dissídio da categoria de fiscais da Receita, e uma possível ação de mitigação seria buscar antecipar a chegada deste equipamento. Ou, aceitar ativamente seria buscar uma negociação com o sindicato da categoria, buscando expor a necessidade e o impacto para a população decorrente do atraso da Obra devido a este fato, e buscar uma exceção para este equipamento no caso de greve.

Quem deveria acompanhar este risco? Por exemplo, a equipe de suprimentos. Quando as ações devem ser tomadas? Um mês antes da chegada do equipamento, ou, logo após começarem a ser publicadas notícias sobre a eventual paralisação.

Clique para fazer o download da Planilha

Clique para fazer o download da Planilha

Espero que a planilha anexa lhes seja útil. Proximamente, iremos abordar a Análise Quantitativa de Riscos. Para ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail no topo da página, à direita. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • João André Duarte

    òtimas explicações, parabéns´pelo Blog.

  • Obrigado, João, conto com suas visitas, comentários e sugestões!

  • Herik Lessa

    Hoje quando se fala em risco as pessoas já pensam em algo negativo, alguma coisa que possa impactar negativamente o projeto.
    É difícil colocarmos na cabeça das pessoas que o risco pode impactar positivamente o projeto.
    Outra grande dificuldade que observo é o da equipe do projeto mensurar o impacto em custo que aquele risco possa ter, é algo que deve ser bem trabalhado nos workshop para evitar ser otimista ou pessimista com o impacto em custos do risco no projeto.

    Outro ponto que acho interessante destacar é a análise quantitativa de riscos através da Simulação de Monte Carlo, um ponto ainda muito espinhoso para a maioria das equipes. É interessante notar que grande parte da equipe não consegue estimar durações durante a análise, ficando muitas vezes na dúvida.
    Já outras equipes assumem a curva de Probabilidade de término como a data determinística do projeto, não implantando os planos de ações aos riscos para atingir a data determinística real do projeto.

  • Muito bem colocado, Herick. Breve postarei um artigo sobre a Análise Quantitativa de Riscos.

  • cintia

    Excelente recurso , muito boa mesmo!

  • Olá, Cintia, que bom que gostou! Visite sempre o Blogtek!

  • Daniel Tavares

    Belo artigo!!!

  • Obrigado, Daniel!

  • Gostei da parte relativa a analise quantitativa de riscos. Não consegui fazer download da planilha. Poderias enviar para mim? Grato. Luiz Felippe.

  • Obrigado, Luiz Flippe, já enviei!

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  • Leandro Novais

    Caro Rodolfo, muito obrigado pela contribuição, seus artigos estão me ajudando bastante.

  • Olá, Leandro, breve estarei juntando todos artigos sobre Gerenciamento de Riscos, e vou enviar na forma de e-book para os assinantes do Blogtek!

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