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Ainda alguns mitos sobre materiais perigosos – Trevor Kletz

Stonner 2 Comentários 19.12.16 795 Vizualizações Imprimir Enviar

Ainda alguns mitos sobre materiais perigosos – Trevor Kletz: fechando aqui a série de artigos divulgando alguns mitos sobre Segurança Industrial, voltamos a destacar a importância das obras de Trevor Kletz para o Gerente Industrial: “O que houve de errado?”, o único em Português, disponível por encomenda, “Lessons from disasters”, “Learning from acidentes in Industry”, e “Process Plants: a Handbook for Inherently Safer Design”, livro que lançou o conceito de Segurança Inerente, assunto a ser abordado proximamente. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui abaixo, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Ainda alguns mitos sobre materiais perigosos – mito #5

“Muros à prova de explosão são medidas efetivas na proteção contra explosões.”

Para alguns equipamentos, onde a probabilidade de explosão é avaliada como superior à habitual, tal como reatores de oxidação, as práticas de engenharia de segurança recomendam delimitar estes equipamentos com muros à prova de explosão. Estes muros podem dar aos trabalhadores uma sensação de segurança, porém muito pouco além disto. Para suportar as pressões desenvolvidas com o advento de uma eventual explosão, estas paredes teriam que ser tão espessas que o custo seria excessivo, equivalente ao custo da planta toda. Se uma explosão ocorresse dentro dos limites confinados por muros à prova de explosão, os trabalhadores seriam atingidos por uma corrente de resíduos de concreto, ao invés de uma onda de choque causada pelo deslocamento do ar. Kletz sugere, ao invés da utilização de paredes á prova de explosão, a utilização do HIPPS (High Integrity Pressure Protection System) o qual previne e evita sobrepressões que possam gerar explosões, ao invés de duvidosas proteções contra as consequências de explosões (este assunto será debatido aqui, em futuro artigo sobre Segurança Inerente). Um sistema que bloqueia a fonte de sobrepressão dentro de 2 segundos com a mesma confiabilidade de uma válvula de alívio (alta redundância de componentes) é denominado um HIPPS.

Muitas das paredes à prova de explosões na realidade são paredes à prova de fogo.

Ainda alguns mitos sobre materiais perigosos – mito #6

“Para vazões mássicas equivalentes, gases tóxicos são mais perigosos (causam maior número de fatalidades) do que gases inflamáveis.”

Devido ao fato de que as concentrações de gases tóxicos que podem produzir danos e/ou fatalidades ser muito mais baixa, e também porque a corrente de gases tóxicos usualmente não é interrompida por ignição, muitos técnicos na área de Segurança Industrial advogam que os riscos de gases tóxicos são maiores do que os riscos de explosão de gases inflamáveis. No entanto, Kletz relata que no período de 1970-75 houve 34 eventos na indústria de óleo e gás com 5 ou mais fatalidades cada, eventos que resultaram em cerca de 600 fatalidades ao todo. Entretanto, neste mesmo período ouve apenas dois eventos comparáveis ocorridos com gases tóxicos, levando a um total de 28 fatalidades.

Ademais, segundo Kletz, as nuvens de gases tóxicos são usualmente mais facilmente detectadas (pela cor e/ou odor) do que nuvens de gases inflamáveis.

Notas do autor:

 

Bhopal - rosto insepulto de criança vítima da tragédia

Bhopal – rosto insepulto de criança vítima da tragédia

Na época em que este artigo foi escrito (1978), ainda não havia ocorrido o desastre de Bhopal (1984 – vazamento de 40 toneladas de gases tóxicos – isocianato de metila, com 3.000 mortes imediatas e mais 10.000 mortes estimadas ao longo dos anos subsequentes). Já havia ocorrido o desastre de Seveso, quando alguns quilos de uma dioxina utilizada na fabricação de herbicida foram liberados para a atmosfera, acarretando a morte de 3.000 animais e o sacrifício de 70.000 para evitar a entrada da dioxina na cadeia alimentar. Contudo, não houve fatalidades humanas.

 Estes dois acidentes também contribuíram para uma das principais bases do conceito de Segurança Inerente: “What you don’t have, don’t leak” (o que você não possui, não vaza). Em Bhopal e Seveso, os vazamentos foram de produtos intermediários estocados. A Segurança Inerente defende a NÃO existência de estoques intermediários.

Para o período abordado por Kletz, 1970-75, dentre os acidentes ocorridos na indústria de óleo e gás, inclui-se a explosão da esfera de GLP em 1972 na REDUC (Duque de Caxias), a qual ocasionou cerca de 40 fatalidades.

Estamos sempre publicando artigos sobre Liderança e Gestão, SMS, Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção. Breve publicaremos mais alguns mitos de Trevor Kletz. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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