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Aceleração de Projetos – Método da Corrente Crítica

Stonner 26 Comentários 03.04.13 4448 Vizualizações Imprimir Enviar

Em um mundo perfeito, os gerentes de projeto avaliariam a duração de seus projetos, e os realizariam dentro deste prazo. Mas, no Mundo Real, é muito frequente o prazo disponível ser menor do que o prazo estimado, obrigando o Gerente de Projeto a usar técnicas de Aceleração de Projetos. Já abordamos duas destas técnicas aqui no Blogtek, o Crashing e o Fast-Tracking. Hoje abordaremos o método da Corrente Crítica, desenvolvido por Eliyahu Goldratt, renomado autor do livro “A meta”. Saiba mais sobre o método em seu livro, Corrente Crítica.

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Caminho Crítico versus Corrente Crítica

Caminho Crítico é definido como a sequência de atividades com maior duração, ou seja, atividade que não tem folga: a data mais cedo de início ou término é igual a data mais tarde de início ou término, portanto DEVEM começar nas datas estipuladas. Qualquer atraso, atrasará o Projeto. No simples cronograma destacado a seguir, vemos o caminho crítico deste pequeno e resumido projeto:

Conceito de Caminho Crítico
Conceito de Caminho Crítico

O Conceito de Corrente Crítica (ou Cadeia Crítica) utiliza, além do conceito de Caminho Crítico, as restrições de recursos. Suponhamos, no exemplo anterior, que para a montagem dos módulos 1 e 2 seja necessário um guindaste de grande porte, do qual só há um disponível no site da Obra. Neste caso, as atividades de montagem dos módulos não poderiam ter a sobreposição ilustrada no cronograma anterior, e teria que haver uma defasagem, tal como vemos a seguir:

O Conceito de Cadeia Crítica

O Conceito de Corrente Crítica

A Lei da expansibilidade do Trabalho (Lei de Parkinson):

Aqui é formalizado um conceito que todos nós, gerentes de projeto, sabemos que existe, mas não havíamos nunca formalizado: O trabalho se expande até ocupar todo o prazo disponível. Há variações: O custo se expande até exaurir todo o orçamento disponível, etc. Isto tem até nome, é a chamada lei de Parkinson.

Então, o que ocorre é que todos aqueles envolvidos em tarefas do projeto, ao estimarem as durações requeridas, inserem uma margem de segurança, como se vê a seguir:

O Fator de Segurança que alocamos nos prazos de nossas tarefas

O Fator de Segurança que alocamos nos prazos de nossas tarefas

Mas, ao inserirmos este fator de segurança, temos a aparência de um prazo maior, o qual, segundo a lei de Parkinson, será consumido, e consequentemente nosso cronograma terá o seguinte aspecto:

Os fatores de segurança consumidos pela lei de Parkinson

Os fatores de segurança consumidos pela lei de Parkinson

Para evitar a Lei de Parkinson, ao invés de adicionarmos um fator de segurança para cada atividade, adicionamos um buffer ao final da Corrente Crítica e ao final de cada corrente que chega na Corrente Crítica. A ideia é de ao invés de haver fatores de segurança particulares para cada tarefa, exista uma “folga”  a ser compartilhada por todos que executam as atividades daquela corrente. Isto cria um cuidado maior com a gestão e cumprimento dos prazos. Desta forma, ao invés do Cronograma com fatores de segurança em todas as atividades, teremos um cronograma com o seguinte aspecto:

A colocação de buffers ao final da Cadeia Crítica

A colocação de buffers ao final da Corrente Crítica

 A Síndrome do Estudante:

Apesar de nossa crença popular em contrário, exemplificada por inúmeros provérbios tais como “Deus ajuda a quem cedo madruga” e “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”, o fato é que geralmente deixamos tudo para ser feito no último minuto. Uma rápida busca em nossa memória de estudantes nos fará lembrar que mesmo atendendo às nossas súplicas, se o professor tivesse adiado a prova em uma semana, pois não tínhamos tido tempo para estudar, o fato é que só estudaremos na véspera da nova data. Por isto, chamada de Síndrome do Estudante. Considerando que fatalmente isto correrá na alocação de recursos às tarefas, Goldratt já preconiza que as atividades que possuam folga sejam alocadas em suas datas mais tarde, sem folgas portanto, e os recursos agora mais disponíveis no início das atividades sejam alocados para auxiliar nas atividades críticas. Teremos então o cronograma com o seguinte aspecto:

Alocando as atividades em suas datas mais tarde

Alocando as atividades em suas datas mais tarde

A Aceleração do Projeto, usando o conceito de Corrente Crítica:

Goldratt propõe, radicalmente, que uma vez estabelecido o cronograma, as atividades tenham suas durações reduzidas em 50%, e depois acrescido a cada corrente crítica um buffer de 50% da duração da corrente. Vamos aqui exemplificar dois casos:

Sem restrição de recursos:

Imaginemos o seguinte cronograma, cuja duração total é de 100 dias:

Cronogrma de 100 dias de duração

Cronograma de 100 dias de duração

Em um primeiro momento, vamos reduzir as durações de cada atividade em 50%, e teremos o seguinte cronograma, com duração de 50 dias:

Reduzindo todas as durações em 50%

Reduzindo todas as durações em 50%

Acrescentando buffers com duração de 50% da Corrente Crítica, teremos um cronograma de 75 dias:

Com buffers de 50% da cadeia Crítica

Com buffers de 50% da Corrente Crítica

 Com restrição de recursos:

No cronograma a seguir, em que as cores representam diferentes recursos, há um conflito de recursos no cronograma original:

Cronograma com conflito de recursos

Cronograma com conflito de recursos

O Cronograma tem uma duração, irreal (devido ao conflito de recursos), de 68 dias. Eliminando os conflitos de recursos, teríamos a seguinte situação, com uma duração de 72 dias:

Eliminando o conflito de recursos

Eliminando o conflito de recursos

Reduzindo as durações à metade de seus prazos originais, teremos 36 dias de duração:

Reduzindo todas durações à metade

Reduzindo todas durações à metade

Porém nesta situação não há nenhuma margem de segurança, portanto introduziremos os buffers, com duração de metade da Corrente Crítica, levando o prazo para 60 dias:

Introduzindo os buffers

Introduzindo os buffers

Para contornar a Síndrome do estudante, deslocaremos as atividades para suas datas mais tarde, e isto nos levará a recalcular os buffers, e o prazo será de 57 dias:

Prazo final,usando o conceito de Cadeia Crítica

Prazo final,usando o conceito de Corrente Crítica

 

 Análise do Método:

Apresentarei aqui a minha visão pessoal do método. Entendo que em um empreendimento, há as fases de projeto, conceitual e básico, nas quais as durações efetivamente são muito difíceis de serem estimadas, e há a tendência de ocupar todo o tempo disponível. Eu chamo estas atividades de softs tasks, e concordo com esta visão. Um engenheiro de processamento idealizando uma nova unidade, se lhe for dado prazo, vai querer rodar planta piloto, para confirmar as previsões, a geração de produtos, etc (já vi isto muitas vezes…). Já nas fases do Projeto Executivo, e principalmente na fase de Construção & Montagem, em que as tarefas seriam do tipo hard tasks, os prazos, a produtividade, os rendimentos são melhor conhecidos, e os desvios são menores, ou pelo menos, não correspondem a fatores de segurança introduzidos pela estimativa de prazos pelos executantes.

Outro comentário é de que este método só é aplicável, em termos práticos, para macro-cronogramas, e não em cronogramas executivos, em que centenas ou milhares de tarefas são detalhadas.

E você, caro leitor, qual sua opinião sobre o método? Seu comentário é muito bem vindo, para ser discutido pela comunidade de Gerentes de Projeto.

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  • síndrome do estudante

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Excelente artigo. Objetivo, claro e esclarecedor. Parabéns, Stonner. William Dantas

  • DIOGO REIS

    Caramba… um resumo extremamente didático e bem organizado de nada menos que 2 horinhas de aula eu um curso introdutório de corrente crítica. Parabéns, belo trabalho!

  • Obrigado, Diogo, fico feliz em ter sido útil! Conto com suas visita!

  • Obrigado, Dantas!

  • dilma

    Olá
    Mais um dos ótimos artigos do blogtek!!
    Agradável, conciso e adequadamente ilustrado o que para nós, da área técnica, facilita em muito a compreensão do conteúdo.
    Sua opinião de que este método só é aplicável para uma visão macro de cronogramas me pareceu totalmente adequada.
    Então pergunto : qual seria a aplicação prática deste método?
    Pensei, num primeiro momento, na fase de preparo da documentação de licitação.
    Pode ser aplicado para a elaboração do cronograma do projeto licitado ?

  • Moschin, John

    Amigos, Caro Rodolfo
    A metodologia da Corrente Crítica nos traz as seguintes preocupações:
    1- No lugar do Caminho Crítico (sequência única de atividades) a Corrente Crítica sugere algumas atividades concatenadas. Esta análise é um pouco subjetiva e difícil de ser executada, para cronogramas com grandes quantidades de tarefas.
    2 – Todas as nossas inseguranças são colocadas como folgas nas atividades e o método propõe levar as durações para o mais tarde. Muito Perigoso.
    3 – Criar buffers (50% das folgas) e só utilizá-los em caso de necessidade. Ops, se o recurso existe, vamos utilizá-lo. Porque ficar com recurso disponível e se existem muitas incertezas no futuro?
    Para início de discussão, paramos por aqui.
    abs

  • Artur Lima

    Aprendi bastante. Valeu mesmo!

  • Caro John: realmente, não vejo como viabilizar, na prática, o método da Corrente Crítica em cronogramas com centenas ou milhares de atividades. E também acho que deixar para o mais tarde, tendo o recurso disponível, é perigoso, mas a sugestão do Goldratt é que os recursos sejam utilizados nas tarefas da Corrente Crítica, justamente para abreviá-las. Vamos ver o que a Comunidade GP tem a comentar. Obrigado pelo comentário!

  • Obrigado pelo feedback, Artur! Conto com suas visitas, comentários e sugestões!

  • Cara Dilma, obrigado pelo retorno! Acredito que um grande momento de aplicar este conceito é nas fases 1, 2 e 3 da Metodologia FEL: Identificação da oportunidade, Projeto Conceitual, Projeto básico. Por que? Porque nestas fases temos que gerar ideias, conceitos, projetos, que não são atividades mecanizadas, rotineiras, de produtividade conhecida, então há uma tendência de ficar rebuscando e refinando as soluções, portanto consumindo todo o prazo que for disponibilizado (o pessoal de desenvolvimento de softwares chama este refinamento exagerado de “gold plating”). É também ao final de cada uma destas fases que se tem que produzir um Relatório, ou Pacote de Suporte à Decisão (os nomes variam entre organizações) para aprovação pelo Conselho, pela Direção, pelos acionistas, para a passagem para a fase seguinte. A justa preocupação de conseguir um resultado positivo também faz com que isto ocupe TODO o prazo disponível ( e muitas vezes, mais um pouco…rsrsrsrsrs…), e como temos nestas fases relativamente poucas tarefas, comparadas à fase de Construção & Montagem, o uso do Método da Corrente Contínua se justifica.
    Quanto à utilização na fase de preparo da documentação de licitação, também entendo pertinente. Notar apenas que algumas etapas do processo licitatório tem prazos legais mandatórios, então não se pode reduzi-los.

  • Alexandre Andrade Ataide

    Stonner, mandou muito bem! Em cronogramas de trabalho de grupos multidisciplinares, tal como a preparação de documentação para licitação de um projeto, sugiro que sejam acrescidas atividades de “check de consistência entre documentos” para evitar uma falsa sensação da lei de parkinson. Porque um documento que já foi dado como concluído pode vir a ser revisado em função da alteração de alguma premissa colocada por outro documento mandatório. Exemplo: se ao longo da elaboração de um documento de arquitetura for alterada a posição de um pilar, necessariamente o grupo de engenharia terá que alterar o documento de estrutura e, pode ser que seja necessário alterar os documentos de instalações elétricas e hidráulicas. Se não houver atividades no cronograma de “checks de consistência”.

  • Alexandre Andrade Ataide

    Se não houver atividades de “checks de consistência”, vai parecer que o documento de engenharia não acaba nunca, rs.

  • Olá, Alexandre. Excelente comentário. Esta atividade serviria como uma “âncora” para evitar a expansibilidade do trabalho. Que é algo que nós, gerentes de projeto, sabemos que ocorre….rsrsrsrs…

  • É verdade, como sabemos!!!

  • Carlos

    Excelente resumo!

  • Obrigado, Carlos! Espero poder corresponder sempre às expectativas.

  • Cleber M.

    Excelente Resumo!

  • Cleber M.

    Excelente Artigo!

  • Muito obrigado, Cleber! Conto com suas visitas, comentários e sugestões!

  • Wendell Dias

    Artigo muito didático, descomplicando a Corrente Crítica!! Parabéns, Stonner!!

  • Obrigado, Wendell!!

  • Ana

    Caro Stonner, fiquei com umas dúvidas. Provavelmente por ainda estar a estudar os métodos e estar a fazer confusão com caminho critico. As minhas dúvidas são:
    Após a redução em 50% da redução das actividades, a duração “crítica” passa a englobar as durações
    8+6+10+12. Porque é que acrescentamos buffer nesse caminho e não no 12+10+12 ?

    Parabéns pelo trabalho!

  • Olá, Ana, desculpe pela demora na resposta. Na realidade, o buffer colocado se refere ao caminho 12 + 10 + 12 = 34, por isso o buffer é de 17 dias. E este buffer atende também o caminho 6 + 10 + 12. Obrigado pelo comentário!

  • Prezado Stonner,

    Muito boa sua aula resumida do método da Corrente Crítica. Gostaria somente de colaborar com esta rica análise.

    Discordo totalmente que o método da Corrente Crítica é aplicável somente em macrocronogramas. Tenho mais de 30 grandes projetos planejados e gerenciados pelo método e dependendo do projeto chegamos em um cronograma bastante detalhado.

    Para viabilizar a utilização do método em cronogramas mais complexos é indispensável a utilização de softwares que automatizem as regras da metodologia. Existem algumas opções como Concerto, ProChain, PS8, CCPM Plus, Aurora CCPM, Expron em diferentes níveis de investimento.

    A utilização do método em cronogramas mais detalhados proporciona grandes benefícios, por exemplo o nivelamento de recursos mais assertivo. Cronogramas muito macro, dificultam a utilização do método principalmente na fase de execução, pois a atualização das atividades é feita através da duração remanescente, e em um cronograma macro pode ser difícil fornecer esta informação com precisão. Existem outros pontos que podem ser explorados, como o impacto no consumo do pulmão quando o cronograma é macro.

    Obrigado.

  • Olá, William, obrigado pelo feedback, principalmente vindo de quem (pelo domínio do e-mail) trabalha diretamente com os conceitos de corrente crítica, do Ellijah Goldratt. Com relação à questão do cronograma, é preciso definir (mais ou menos) a fronteira entre macro-cronograma e cronograma detalhado. Quando o cronograma desce até o nível de pacotes de trabalho como a solda de uma junta do spool, acho que o método da corrente crítica não agrega muito. Porém, acho que um cronograma muito detalhado em quaisquer circunstâncias não agrega valor (leia minha posição em: http://blogtek.com.br/planejamento-super-detalhado-melhor/ e http://blogtek.com.br/workface-planning-conceito/). Mais uma vez, obrigado pelo comentário.

  • Pingback: Parte 2 - Boas práticas para cronogramas - blogtek.com.br()

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