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10 acidentes industriais terríveis do passado – e suas lições (parte 1)

Stonner 4 Comentários 12.09.16 1195 Vizualizações Imprimir Enviar

Acidentes industriais: como gestores, temos profunda preocupação com acidentes industriais e suas nefastas consequências. Além das ferramentas de análise de risco disponíveis, frequentemente objeto de artigos aqui no Blogtek, a História também nos traz reflexões e lições aprendidas. Infelizmente, como podemos ver pelos abundantes relatos de acidentes em indústrias têxteis em Bangladesh, parece que as lições não foram aprendidas, ou pior, a voracidade do lucro se impõe. Elencamos a seguir, em ordem cronológica, alguns dos piores acidentes ao longo dos tempos. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui abaixo, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Acidentes Industriais – o colapso de Pemberton Mill (1860)

Pemberton Mill era um moinho construído em 1853, em um prédio de 5 andares, com cerca de 90 m por 30 m, onde trabalhavam cerca de 800 operários, em sua maioria imigrantes irlandeses e escoceses.

Vendido com prejuízo por seu proprietário em uma crise financeira de 1857, seu novo proprietário apressou-se a colocar mais equipamentos para aumentar os lucros. Equipamentos bastante pesados foram instalados, e, em 10 de Janeiro de 1860, pouco antes das 17:00, sem nenhum aviso aparente, a estrutura desabou, matando e soterrando centenas de trabalhadores. Durante os trabalhos de resgate, um dos socorristas inadvertidamente deixou tombar (era noite já) uma lanterna a óleo, propagando chamas que tornaram a situação ainda pior.

As estimativas são de 145 trabalhadores mortos, e 166 feridos.

Acidentes industriais: Pemberton Mill

Acidentes industriais: Pemberton Mill

Acidentes Industriais – o incêndio da Triangle Shirtwaist Factory (1911)

Esta fábrica de roupas funcionava no 8º, 9º e 10º andares de um edifício em Nova York, onde imigrantes judeus e italianos (principalmente mulheres) trabalhavam de segunda a sábado em jornadas de 9 horas.

Às 16:40 de 25 de março de 1911, iniciou-se um incêndio no oitavo andar, e o escape dos trabalhadores foi impedido pois as portas das escadas estavam fechadas à chave para impedir furtos e evasão das atividades laborais. Apesar do fumo ser proibido, a hipótese mais provável do incêndio foi um cigarro atirado em um depósito de lixo onde havia muitos restos de tecido (veja vídeo).

Entre queimados, asfixiados e os que se jogaram pela janela (há relatos de um casal se beijando no parapeito antes de pularem ambos para a morte), foram registradas 146 mortes (123 mulheres e 23 homens).

Vários historiadores atribuem a este evento, ocorrido em 25 de março, como a origem do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

Acidentes industriais: Triangle Shirtwaist Factory fire

Acidentes industriais: Triangle Shirtwaist Factory fire

Acidentes Industriais – Molasses flood in Boston (1919)

Este acidente talvez não tenha números tão impactantes quanto os demais deste artigo, porém é importante uma vez que imaginamos que acidentes graves ocorrem em indústrias químicas, de óleo e gás, nucleares, de energia… mas em 1919 houve um grave acidente em Boston, decorrente de uma inundação de… melaço!

Por volta de meio dia de 15 de janeiro de 1919, um tanque contendo 8.700 m³ de melaço, destinados a fabricação de rum e aguardente, com 15 metros de altura e 27 metros de diâmetro, rompeu. Sabe-se que o tanque não havia sido testado hidrostaticamente, tinha tantos vazamentos que fora pintado de marrom, para disfarçar o melaço escorrido no costado, e tinha havido um aumento de cerca de 20 C desde o dia anterior. Este aumento de temperatura provavelmente favoreceu a fermentação e formação de gases, ocasionando a explosão, gerando uma onda de melaço que chegou a ter altura de 7 metros, espalhando-se com a velocidade de 56 km/h, matando afogadas 21 pessoas e deixando mais de 150 feridos (veja vídeo)

Acidentes industriais: Boston Molasses Disaster

Acidentes industriais: Boston Molasses Disaster

Acidentes Industriais – a explosão da fábrica de fertilizantes em Oppau (1921)

Esta planta de fertilizantes começou a produzir sulfato de amônia em 1911, porém durante a Primeira Guerra Mundial a Alemanha não teve acesso ao Enxofre, e a planta começou a produzir nitrato de amônia. Ambos produtos eram armazenados conjuntamente em um mesmo silo, porém como o nitrato de amônia é higroscópico, a mistura de ambos produtos formava uma camada sólida que impedia que o produto fluísse do silo, sendo necessário explosões de dinamite para fragmentar a carga. O incrível do fato é que o nitrato de amônia em si é EXPLOSIVO, mas testes realizados em 1919 asseguravam que o nitrato não era explosivo em uma proporção abaixo de 60% de nitrato, e a mistura habitualmente era 50%/50%.

Contudo, os testes não eram conclusivos, pois, apesar de mais de 20.000 eventos de explosão para fragmentar a corrente de produtos, em 21 de setembro de 1921, uma desta explosões desencadeou uma explosão maior, equivalente a 2 quilotons, sendo ouvida a 300 km de distância em Munique, deixando um rastro de entre 500 a 600 fatalidades, 2.000 feridos, e 6.500 sem teto. A onda de choque atingiu um raio de 25 km, e no local da explosão ficou uma cratera com um diâmetro médio de mais de 100m, com 19 m de profundidade.

Dois meses antes, na mesma Alemanha, 30 trabalhadores haviam falecido em uma explosão similar, com uma quantidade menor de nitrato. Contudo, esta lição não chegou a Oppau.

Acidentes industriais: Explosão de Oppau

Acidentes industriais: Explosão de Oppau

Acidentes Industriais – a explosão de dois navios no Texas (1947)

O nitrato de amônia foi também vilão na explosão de dois navios no Texas, carregados no total com mais de 3.000 toneladas de nitrato de amônia, em 16 de Abril de 1947. Este foi o maior acidente industrial dos Estados Unidos, do qual tiramos muitas lições aprendidas. Foram mais de 585 mortos, e mais de 3.500 feridos. Este acidente evidencia a importância do pleno conhecimento da FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos), e este acidente já foi objeto de um artigo no Blogtek: O pior acidente industrial dos Estados Unidos.

Estaremos sempre publicando artigos sobre Segurança Industrial, Gestão da Manutenção, Gerenciamento de Projetos, e tópicos diversos sobre Liderança e Gestão. Breve publicaremos mais artigos sobre acidentes industriais graves. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

 

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Raymundo Pantoja

    Um ótimo artigo para que os empresários, os profissionais técnicos e dos batalhões de Corpo de Bombeiros assim como os políticos e legisladores reflitam sobre quanto poderá custar a PRESSA em ter lucros.
    Ao ver o filme Triangle Shirtwaist Fire, observei que no quadro 2:51 de 7:23 apareceu um ar condicionado de parede sendo que o ano citado em quadros imediatamente anteriores foi 1868. Estranhei pois, Carrier inventou o ar condicionado em 1900.

  • De fato, Pantoja, aparentemente é um ar condicionado de parede… Parabéns pelo seu olhar atento!!! Pesquisarei o assunto!

  • Pingback: Explosão de caldeira - Exxon (Singapura) - blogtek.com.br()

  • Pingback: 10 acidentes industriais terríveis do passado - e suas lições (parte 2) - blogtek.com.br()

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