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10 acidentes industriais terríveis do passado – e suas lições (parte 2)

Stonner Comente 14.11.16 1458 Vizualizações Imprimir Enviar

Acidentes industriais: vimos recentemente um artigo aqui no Blogtek abordando os mais trágicos acidentes industriais do passado, em ordem cronológica. Na primeira parte, foram narrados cinco destes, e aqui iremos descrever os outros cinco. Além das ferramentas de análise de risco disponíveis, frequentemente objeto de artigos aqui no Blogtek, a História também nos traz reflexões e lições aprendidas. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui abaixo, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Acidentes Industriais – o smog de Donora (1948)

Este é provavelmente um dos primeiros registros de mortes causadas por impactos ambientais decorrentes da indústria. Donora, na Pensilvania, é um distrito industrial siderúrgico, onde estavam localizadas as plantas da US Steel Zin Works e American Steel & Wire. Emissões de fluoreto de hidrogênio e dióxido de enxofre eram comuns nestas plantas, porém o que potencializou a tragédia foi uma inversão térmica que se iniciou em 27 de outubro de 1948. A inversão térmica é um fenômeno em que uma camada estacionária de ar quente aprisiona uma camada de poluentes abaixo dela, sobre a cidade. Eventualmente, temos registros deste tipo de ocorrências em São Paulo, e bastante frequentemente na nossa campeã poluidora, a China.

O smog (termo derivado da mistura de smoke + fog) começou em 27 de outubro e durou até 31 de outubro, quando uma chuva conseguiu dissipar a espessa poluição. Ao longo destes cinco dias, 20 habitantes haviam falecido, e mais de um terço dos 14.000 habitantes da cidade necessitaram cuidados médicos. Estima-se que mais 50 pessoas faleceram no mês seguinte, e dez anos após o evento, a taxa de mortalidade por doenças respiratórias ainda era consideravelmente superior à média americana.

Acidentes industriais - o smog de Donora

Acidentes industriais – o smog de Donora

Acidentes Industriais – Minamata (1956)

O ano de 1956 é o ano em que foi detectada a anomalia, mas a história começou mais de  vinte anos atrás. No Japão, uma indústria química lançava rejeitos com alto teor de mercúrio na baía de Minamata desde 1930. Em 1956, os médicos locais notaram um expressivo número de pessoas com sintomas em comum: convulsões severas, psicose, perda de consciência e coma, vindo posteriormente a óbito. Como animais domésticos também estavam apresentado estes sintomas,  pesquisas detectaram elevados níveis de mercúrio dentre as vítimas, e foi criado o vínculo entre o descarte de efluentes com alto teor de mercúrio, a contaminação de peixes e crustáceos, chegando ao topo da cadeia alimentar, o ser humano. Foi estimado um número inicial de 700 fatalidades, mas como os efeitos ocorrem em longo prazo, este número foi atualizado para mais de 1.700 fatalidades, sem contar os danos e outras enfermidades (veja o vídeo).

Acidentes industriais -Minamata

Acidentes industriais -Minamata

Cabe aqui o alerta de que lâmpadas fluorescentes contém mercúrio, e por isso devemos ter toda atenção, efetuando o descarte adequado de lâmpadas fluorescentes.

Acidentes Industriais – a explosão das esferas de GLP da REDUC (1972)

A madrugada de 30 de março de 1972 não será esquecida pelos moradores de Caxias que a vivenciaram. Uma série de 3 explosões, às 00:50, 01:30 e 02:30, destruiu o parque de esferas de GLP da REDUC. Era a quinta-feira que antecedia a Semana Santa, e diversas pessoas se deslocavam ao longo da Rodovia Washington Luiz, em direção a Petrópolis, Teresópolis e outras cidades serranas, para passar o feriado.

Este foi um acidente do qual conheci alguns colegas da REDUC que o vivenciaram, portanto tenho alguns testemunhos reais. Na véspera, um operador realizava, à noite, uma operação rotineira: drenar a água que se acumula no fundo da esfera. Acompanhava a interface água-GLP pelo visor de nível, quando passou a camionete que levava o lanche de turno. Pelo nível, entendeu que daria tempo para apanhar o lanche. Não levou em conta que devido ao formato esférico, a água ao fundo tende a escoar mais rapidamente quanto mais próxima do final… ao retornar, ao invés de água, vazava GLP! O GLP ao despressurizar, como qualquer gás em despressurização, se resfria, e como a válvula estava úmida, a água congelou impedindo o fechamento da válvula. O operador, desesperado, usa com muita força a chave de válvula, e quebra a haste da válvula, impedindo definitivamente seu fechamento. O GLP, mais denso que o ar, vai formando um colchão perigosamente inflamável, até que atingiu um ponto de ignição (há relatos que haveria alguém com cigarro aceso, dentro da refinaria. Não creio nesta hipótese, pois além de estar bem arraigado o conceito de só fumar em áreas permitidas – fumódromos – TODOS na refinaria sabiam que havia vazamento de GLP). Com o fogo, impossível de ser apagado, a brigada optou por resfriar as esferas próximas, para evitar que explodissem. Porém, a temperatura era tão alta que a vazão de água foi insuficiente para  resfriá-las adequadamente, e duas delas explodiram também. Pedaços de aço de toneladas voaram por mais de 1 km. Saldo de 42 mortos e 40 feridos (há quem conteste estes números, aventando a hipótese de 70 mortos, que não teriam sido divulgados devido à ditadura militar vigente à época).

Acidentes industriais -explosão das esferas da REDUC

Acidentes industriais -explosão das esferas da REDUC

Depois deste acidente, a Petrobras e as indústrias de petróleo no mundo passaram a adotar duplo bloqueio nas válvulas de fundo de esferas, e steam-tracing para aquecê-las em caso de congelamento.

Em 1966 hovera acidente similar em Feyzin, na França. Saiba mais aqui, no blog “Inspeção de Equipamentos” (muito bom!).

Acidentes Industriais – a explosão de Flixborough (1974)

Esta era uma planta situada na Inglaterra, a qual produzia um insumo para a fabricação de nylon, a partir do ciclohexano. Por volta de Abril de 1974, suspeitou-se de um vazamento na tubulação que ia do reator 4 ao reator 5, e ao remover o isolamento, efetivamente foi detectada uma trinca de 1,8 m de comprimento!! Decidiu-se então by-passar o reator 5, construindo uma tubulação de 20” (ao invés das 28” requeridas) para levar o produto do reator 4 ao reator 6, enquanto se faziam os reparos. Este by-pass foi testado apenas com relação à estanqueidade, à pressão de trabalho, com nitrogênio. Ao final de maio, este trecho teve que ser despressurizado em função de inúmeros vazamentos. Ao retornar à operação, em 1 de junho de 1974, um sábado, houve um grande vazamento de ciclohexano, o qual, ao atingir algum ponto de ignição, gerando uma enorme explosão, da qual houve 28 vítimas fatais (uma delas indiretamente, era um motorista entregador que passava próximo e teve um ataque acardíaco, vindo a óbito), e 36 feridos, e mais de 2.000 residências danificadas. Por ser sábado, o número de vítimas fatais não foi tão grande quanto poderia ser em um dia útil. Veja o vídeo.

Acidentes industriais -Flixborough

Acidentes industriais -Flixborough

Acidentes Industriais – Bhopal (1984)

Bhopal, cidade situada no centro da Índia, foi cenário, na madrugada de 3 de dezembro de 1984, daquilo que viria a ser o maior desastre industrial do mundo. A Union Carbide tinha no local uma planta de pesticidas, e nesta madrugada 32 toneladas de gases tóxicos, predominantemente metil-isocianato vazaram, matando de imediato 5.000 pessoas, número que em duas semanas chegou a 18.000, e ainda hoje em dia, cerca de 150.000 pessoas sofrem de doenças crônicas decorrentes da contaminação, tais como câncer e doenças respiratórias, e diversos defeitos congênitos foram observados nas gerações subsequentes ao acidente.

Este acidente já foi objeto de dois artigos aqui no Blogtek: Bhopal, Seveso e São Francisco do Sul, e 6 vídeos sobre acidentes industriais graves.

Estaremos sempre publicando artigos sobre Segurança Industrial, Gestão da Manutenção, Gerenciamento de Projetos, e tópicos diversos sobre Liderança e Gestão. Breve publicaremos mais artigos sobre acidentes industriais graves. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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